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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ex-chatos

Ontem eu escrevi um texto sobre os chatos. Comentei sobre como são inadequados, inoportunos e como nos esforçamos para conviver com este grupo. É claro que brinquei sobre o assunto. Hoje volto a falar sobre o mesmo tema, dessa vez sem brincadeiras. Deus ama os chatos. Falo isso por sentir seu amor por mim sendo eu, alguém que insiste em questionar quase tudo, que me proponho a reformular o que já está estabelecido, que não me controlo e opino sobre qualquer assunto que não tenho conhecimento suficiente, que critico muito mais do que elogio, que tenho alguns pontos de vista parciais e sem fundamento e que me envolvo em discussões por motivos absurdamente sem importância. Sou assumidamente um chato.

Mas eu meus colegas de personalidade instável, podemos experimentar o amor de Deus. Ele me ouve quando ninguém mais suporta ouvir a mesma história, Ele não se cansa de rir das repetidas piadas sem graça, Ele está perto quando todos me evitam, Ele demonstra Seu carinho incondicional quando estou irritado e convive revelando seu amor a despeito de minha chatice. O que quero de fato é dizer que Deus ama a todos, e isso inclui os chatos. Aqueles que são desprezados, imorais, infelizes, desgraçados, aqueles que não tem mais nenhuma chance a estes Deus ama profundamente. O estranho não é dizer que Deus ama a todos, mas dizer que Deus ama a todos igualmente. O cara legal, o cristão comprometido, o caridoso, o religioso exemplar experimentam amor na mesma quantidade que aqueles que têm um comportamento oposto a estes bons indivíduos. É difícil entender isto porque escolhemos a quem amar e nossas escolhas sempre são convenientes. Mas Deus não escolhe a quem amar. Ele ama o joio e se empenha em transformá-lo em trigo.

A lição de hoje é que preciso imitar a Deus e discriminar menos aqueles que são muito diferentes de mim. A manutenção dos meus princípios não é ameaçada pela demonstração de afeto a quem guarda outro dia da semana, a quem consome carne suína ou espera uma recompensa imediata após a morte. Mais, meus princípios deveriam me estimular a amar drogados, homossexuais, prostitutas e todos os outro que também são amados de Deus.

Quando Jesus vier, Ele levará consigo ex-pecadores, transformados pela sua Graça. Quero estar lá, um ex-chato salvo e vivendo uma nova vida.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O chato

Você já deve ter visto diversas comunidades de apoio a minorias. Elas dão suporte desde a doentes de Alzheimer e dependentes químicos até a prostitutas e albinos. Outros grupos, estão comprometidos com esmagadoras maiorias: famintos, crianças e idosos. Todos na sociedade parecem conseguir se organizar para atrair apoio de governantes e ONG´s ou, no mínimo, a atenção da família e de amigos. No entanto, existe um grupo que parece não ter ainda uma comunidade que lhes dê o apoio necessário para enfrentar os seus grandes dilemas: Os chatos. Você sabe de quem eu estou falando, talvez até para você mesmo. Os chatos estão em toda parte, em todas camadas sociais, na família ou no trabalho e ainda assim, sendo tantos, nunca conseguiram criar uma SOCHAR (Sociedade de chatos rejeitados) ou uma CHAEBA (Chatos em Busca de Atenção) ou qualquer outra comunidade que defenda os direitos desta classe tão criticada.
Talvez a grande dificuldade desta classe advenha da impossibilidade de haver um ajuntamento de chatos sem que haja uma ameaça a paz mundial. Sim, porque como qualquer outro ser humano, o chato não suporta um chato. Assim, estes inadequados indivíduos, precisam viver no varejo, nunca no atacado.


Definir o chato é uma tarefa difícil, pois existe uma série de sub-categorias, que dificultam a classificação. Por exemplo, o chato do futebol, que não pode ouvir a palavra bola, sem começar a comentar o campeonato Italiano, proferindo a escalação de todos os times do país de Berlusconi. O chato da política, que sai na mão com quem disser que Tancredo Neves não foi envenenado pelos militares. Eu por exemplo, tenho que conviver com os chatos da educação, que não falam dez palavras sem mencionar o termo: processo de ensino e aprendizagem. Possivelmente, pode estar havendo, neste exato momento, uma identificação com algum leitor deste texto, o que significa que a chatice não é crônica. Sim, porque o chato inveterado, não admite nem sob tortura que pertence a classe. É claro que vez ou outra, qualquer um de nós tem seus momentos de chatice, afinal, em algum momento da nossa história um tio, um vizinho, um coleguinha da escola que sofria deste triste quadro semi-patológico, nos influenciou e ficaram resquícios em nossa personalidade que afloram em momentos de stress e euforia. No entanto, assim como uma desmunhecada esporádica não classifica alguém como um federado na organização dos indivíduos com interesse em seres do mesmo gênero, ser chato de vez em quando é considerado pela Organização Mundial da Saúde como normal ( de vez em quando). Quero concluir dizendo que talvez tenha sido mal interpretado em algum momento durante esse texto, porque é óbvio há pessoas de todos os tipos lendo o que escrevi, chatos inclusive. Mas gostaria de conclamar a todos a um esforço conjunto para não discriminar estes sujeitos que são chatos, mas precisam de nossa tolerância. Um abraço aos amigos e um aceno cuidadoso para eles...




“diz que inventou uma música
e toca as seiscentas que fez
e quando você abre a boca e boceja
ele toca tudinho outra vez”






Oswaldo Montenegro






terça-feira, 22 de março de 2011

Objetivo cria escola só para bons alunos


O Jornal Folha de São Paulo publicou um texto sobre o colégio Objetivo, que interpretando o artigo como uma excelente ferramenta publicitária, o publicou na revista Veja (28 julho 2010). O título deixa claro o sentido do texto: Objetivo cria escola só para bons alunos. O aluno não escolhe estudar no colégio, o colégio é que escolhe que alunos vão estudar lá. Lá não entram talentosos, criativos, espertos, esforçados, medianos, burros, patricinhas, atletas, músicos ou engraçadinhos, no colégio “só entram alunos com boas notas”, se tiverem outras habilidades, isto será irrelevante. Todos os tipos comuns em qualquer escola são dispensados do Colégio Objetivo. Se não tiverem boas notas, procurem outro ambiente para estudar.
Penso que o termo educar não se aplica a este tipo de instituição. Primeiro, porque lá não se formam alunos com notas altas, os alunos de notas altas é que formam o colégio. Segundo, é que todos os princípios, valores, histórias, experiências que se espera viver em uma escola, são descartados sob o argumento de que o importante é o Enem. Não se prepara para a Universidade ou para o universo, todo esforço é para o Enem. Assim, como na teoria de Charles Darwin, que segundo Ariano Suassuna é mais capitalista que naturalista, os mais fortes superam os mais fracos. Alunos com notas baixas são fracos, alunos com notas altas são fortes (esta classificação não me parece ter haver com uma educação moderna e inclusiva).
Se para estudar neste tipo de escola é necessário ter notas natas altas, o colégio dispensaria talentos como Albert Einstein, Rubem Alves e Mário de Andrade.
Não estou tentando desvalorizar a competência, até por que, a nota alta ou baixa nem sempre tem haver com competência. Mas não escolheria para o meu filho uma escola só para alunos de nota alta. Posso até imaginar a conversa no intervalo numa destas escolas:

- Quanto você tirou em química?
- 9,8. E você?
-9,7 Com estas notas, meu pai vai me tirar daqui e me colocar numa dessas escolas para maus alunos. Estou perdido!
Quero uma escola onde meu filho seja acolhido mesmo se tirar notas baixas. Não quero que ele seja avaliado apenas por um valor rabiscado na frente da prova. Quero que ele vá escola para tirar boas notas, para cantar, encenar, contar e ouvir boas piadas, para aprender a ser homem, generoso, amigo. Quero uma escola que se preocupe com a estatura, a sabedoria e a graça. Assim, tenho certeza que com notas altas e as baixas ele estará preparado para o Enem e para a vida.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Precisamos discutir

Precisamos urgentemente discutir. Os cristãos estão calados sobre a essência dos indivíduos, apenas assoviando melodias açucaradas, superficiais e inúteis a respeito dos nossos problemas internos.
Temos evitado discussões por medo dos resultados desta atitude. A polêmica resposta da pergunta íntima tornou-se o monstro do qual precisamos correr para longe, não podemos compartilhar com ninguém o que sozinhos não conseguimos resolver nunca. Temos fugido de olhar no olho e declarar nossas opiniões verdadeiras sobre os assuntos que evitamos enfrentar. Temos colocado em baixo do tapete os temas que corroem as nossas emoções e razão. Ninguém fala sobre homossexualidade, sobre a infelicidade das solteiras, sobre as necessidades reais de crianças e adolescentes que ocupam um papel ornamental na estrutura da igreja, ninguém assume a discriminação das mulheres nem tocam na vulnerabilidade sexual dos homens. Nossas emoções e necessidades pessoais não fazem parte do cardápio das conversas públicas. Aqui ou acolá, atrás de arbustos de vergonha, ouvem-se comentários sobre solidão, tristeza, frustração, medo ou dúvida. Ou então, nos armamos par criticar aqueles que, não resistindo ao uso constante da máscara, rasgaram-na e assumiram suas identidades secretas de esposas infelizes, maridos insatisfeitos, adolescentes rejeitados, solteiras carentes, crianças subvalorizadas.
Vive-se na ilusão de crentes super-heróis. No batismo, presumem alguns, cessaram todas as nossas fraquezas, tendências pecaminosas e necessidades emocionais. Mas quando levantamos das águas percebemos que somos ainda deficientes, carentes, medrosos e ainda restam mágoas e lembranças do passado que não conseguimos simplesmente arrancar da memória.
Fé é a solução! Esbravejam os fortes. Mas todo esforço de fé, não consegue curar os dramas reais vividos pelos pobres cristãos cansados de lutar. Você sabe, é assim na vida real.
Cantamos que sempre alegre é o viver do bom cristão, e nos descobrimos péssimos cristãos quando nem sempre somos verdadeiramente alegres.
Nosso consolo é perceber a honestidade da bíblia, lá Jó, Davi, Ana, Sansão, João Batista, Paulo, sofreram, choraram, caíram e quase desistiram a despeito de sua grande fé. Alguns, descreve o autor de Hebreus, morreram sem ver realizados seus sonhos mais ambiciosos. A vida cristã é às vezes frustrante.
E o que fazemos como cristãos sobre isto? Muito pouco. Não cumprimos nossa obrigação social. Somos especialistas em diversos assuntos eclesiásticos, mas esquecemos da dor do outro e disfarçamos a nossa própria dor. Somos enquadrados na denúncia do profeta: E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. Jeremias 6:14
Precisamos discutir. A discussão é saudável, é terapêutica. Pornografia, vícios, tendências, frustrações precisam ter espaço nas conversas nos pequenos grupos, nas reuniões administrativas, nos sermões. Precisamos nos expor ou não curaremos a ferida da filha do povo de Deus.
"Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis". Tiago 5.16
Confessar, desabafar, se expor, chame do que quiser. Não temos outro grupo para compartilhar nossas tristezas e dissabores. Não freqüentamos clubes, mesas de bar ou alcoólicos anônimos. É na igreja que estamos e lá que precisamos resolver nossas dificuldades. Precisamos discutir.


"Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel." (ITm. 5:8)



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A fé do meu filho



Quinta feira à noite, saimos do shopping e no caminho para casa decidimos parar para comprar algo. Foi quando percebemos que minha carteira havia sumido. Parei o carro, vasculhamos tudo e tragicamente descobrimos que meus documentos e cartões haviam sumido. Meu humor mudou rapidamente. Decidimos voltar ao shopping para não sei o que. Encontrar na praça de alimentação, estacionamento, alguma loja, decidimos voltar. Eu estava resmungando quando meu filho disse: Pai pedi a Deus para que alguém bom encontre sua carteira e a devolva e, se Deus atender meu pedido, vou dar um dízimo (ele quis dizer oferta) a Ele. Tudo bem Pedro, respondi incrédulo e mal humorado. Chegamos no shopping e começamos pelo estacionamento de alguns milhares de metros quadrados, mas percebi que o segurança nos olhava curioso. Me aproximei e disse: Perdi minha carteira, ele me interrompeu e disse: e eu achei!
Fomos até a administração e pegamos felizes o objeto intacto. Esqueci do episódio até chegar o sábado pela manhã, quando o diácono se aproximou de nós com a bandeija de ofertas. Meu filho rapidamente sacou sua carteira do Ben 10, e entregou R$ 1,00 ao diácono. Lembrei do episódio da última quinta feira meio envergonhado pela minha displicência mas, muito feliz pela fé do meu filho.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Acreditar não é fácil.


Acreditar não é fácil. Não é fácil para o arqueólogo, para o historiador, para o biólogo, para o teólogo ou para o ateu. Não me refiro a acreditar naquilo que pode ser visto, o que às vezes também provoca dúvidas, mas especialmente a crença no invisível, na suposição, na teoria, na interpretação de fatos não muito claros.

Admito que já duvidei. Duvidei de coisas que sempre cri. Mas no auge doloroso da minha dúvida, lembrei de outros que, como eu, também passaram pelo processo incômodo de questionar o que parece fato aos olhos da maioria.

Madre Tereza de Caucutá, alguém que dispensa apresentação, pediu para que as centenas de cartas enviadas aos seus conselheiros espirituais fossem destruidas, mas não foi atendida e as cartas viraram livro. Suas declarações revelam o sofrimento pela incapacidade de acreditar totalmente: “Dizem que Deus vive em mim; contudo a realidade da escuridão, frieza e vazio é tão grande que nada toca a minha alma. Sinto apenas aquela terrível dor da perda, de Deus não me aceitar, de Deus não ser Deus, de Deus não existir realmente.”

Alguns podem estar surpresos pelo ceticismo temporário de Tereza. Mas outros, tão ou mais santos que a caridosa serva de Deus, passaram por momentos de dúvida.

Davi, o homem segundo o coração de Deus, desconfiou da companhia do senhor que prometeu estar ao lado dos Seus filhos (Sl 10:1); Tomé, um dos 12 mais próximos seguidores de Jesus, duvidou do Mestre ressurreto (Jo 20:25); João Batista, o maior entre os nascidos de mulher, duvidou do fato de Jesus ser o Messias enviado (Mt 11,2). E a lista segue numerando diversos outros que tiveram suas sinceras dúvidas registradas na bíblia.

Não acho que apenas os cristãos duvidam. Seguidores de outras religiões devem também ter seus momentos de incredulidade. O que parece é que quando se questiona a doutrina, o dogma, o princípio ou simplesmente uma convenção, passa-se a imagem de fraqueza ou revolta. Assim é melhor guardar a dúvida em um canto escondido do pensamento, longe dos olhos e dos ouvidos dos críticos porque parece que apenas os sinceros-ingênuos admitem a dúvida. Ter muitas certezas denota força, equilíbrio, superioridade. Mas quando vejo pessoas assim sempre lembro da Cantiga por um ateu, do Padre Zezeinho: Às vezes, quem duvida e faz perguntas, É muito mais honesto do que eu. ...

Também acredito, que mesmo os céticos passam pelo dilema da dúvida. Charles Darwin quase entrou em parafuso ao concluir, a partir da sua turva observação, que nós, seres incrivelmente complexos, somos, segundo ele, descendentes de um ancestral do macaco.

Não creio que nunca passou pela brilhante mente de Stephen Hawking, dúvidas a respeito da incoerente teoria do Big Bang.

Também duvido que Richard Dawkins, o ateu-biólogo implicante, não tenha sofrido de dúvida ao sugerir que as baleias eram ursos que, ao nadarem em busca de comida, foram ficando por lá até se tornarem os gigantes mamíferos dos mares.

Em que acreditar e por que acreditar?

O cardápio de crenças é incrivelmente diverso. Há os que creêm em reencarnação, há os que creêm em alienígenas, os que acreditam que o peixe espada virou elefante, os que afirmam que Elvis não morreu e os que acham que em 2012 o mundo vai acabar. A lista de convicções é extensa, os irmãos católicos por exmplo, acreditam que cerca de 5.120 santos estão à sua disposição para cuidar de dores abdominais, vendedores de armas, ferreiros e os que são acometidos de problemas intestinais.

Diante de tantas ofertas de crendices, crenças e credos. Nos resta concluir que acreditar é uma escolha. Às vezes uma escolha imposta pela tradição, pela comunidade acadêmica, pelos pais ou pela igreja, mas é uma escolha.

Por isso, a despeito dos momentos de dúvidas, eu escolhi acreditar naquilo que me pareceu coerente e significativo. Naquilo que trouxe satisfação para minha mente. Procurei utilizar o bom senso, a sobriedade, a racionalidade e às vezes o sentimento para dizer: Eu creio!

Sim sou um cético! Desconfio, duvido, questiono, digo às vezes que não sei. Mas procuro não deixar que minhas dúvidas comprometam a minha fé. Assim, quando a dúvida incomoda, ameaça, grito para o autor da fé como um anônimo personagem bíblico: Eu creio, ajuda-me em minha incredulidade (Mr 9.24). Então busco conviver com as incertezas inevitáveis da vida e com as as verdades que o Senhor me convenceu a acreditar.


Quando tudo não é o bastante


As agências de publicidade têm muitas vezes surpreendido pela criatividade utilizada para vender os produtos de seus clientes. Alguns anúncios são tão bem elaborados, cheios de humor ou emoção que, ás vezes, chamam mais atenção do que certos programas de televisão.

Há uma propaganda que tem um texto muito interessante de onde podemos tirar uma preciosa lição para as nossas vidas. É um anúncio de uma revista semanal. Os textos vão aparecendo de trás pra frente muito devagar, depois vão virando pra posição correta até poderem ser lidos claramente. Eles dizem o seguinte: “ tudo na vida tem um lado bom e um ruim, quem só vê o lado ruim vive pela metade, pela pior metade.”

A verdade contida neste pequeno texto é sem dúvida muito grande. Se não fosse pela presença da expressão “tudo na vida” a frase seria perfeita. Pois é claro que há coisas na vida que só tem um lado bom ou ruim. Mas sem dúvida a maioria das situações enfrentadas pelas pessoas tem dois lados, um positivo e um negativo.

Na nossa vida religiosa não é diferente. Enfrentamos situações difíceis aonde é possível perceber aspectos que contribuirão para nosso relacionamento com Deus e temos alegrias que, chegamos a conclusão, podem atrapalhar nossa vida cristã.

É muito importante exercitarmos essas avaliações sobre as coisas que nos acontecem para que não ponhamos em risco, com as situações desta vida, a nossa salvação.

ISBR

Deus nos têm dado bênçãos sem medida. Basta respirar bem fundo, olhar o colorido ao seu redor ou mexer cada um de seus dedos para você perceber a bondade e o carinho de Deus demonstrados a cada segundo da sua vida. Infelizmente nós, às vezes, nos acostumamos com todos esses milagres de Deus e nos esquecemos de quão providente é o nosso bom Senhor. Nos assemelhamos aos discípulos que pouco depois de terem visto a maravilhosa multiplicação dos pães estavam preocupados com o que comer mesmo estando na presença daquele que havia alimentado a grande multidão através do seu poder. Temos memória curta quando o assunto é bênção divina.

Por isso ao falar sobre o tema do reconhecimento pelo que Deus faz por nós, utilizaremos a sigla ISBR (índice de satisfação pelas bênçãos recebidas).

Querer, sonhar, consumir, realizar são verbos extremamente atuais. Nunca se aguçou tanto o sentido do olhar, nunca se atiçou tanto o desejo pelo poder, nunca se promoveu tanto a oportunidade de ter.

A criança aprende a falar a frase “compre papai”, muito antes de estar na escola. O adolescente precisa vestir , usar, e ter tudo o que a tv e as revistas anunciam. Os adultos se endividam para realizar o sonho do carro novo que precisa ser renovado a cada novo lançamento da concessionária e a família vive apenas para satisfazer o insaciável desejo de consumir.

Infelizmente algumas famílias cristãs são contaminadas também com o terrível vírus do “querer ter a qualquer custo” e esta contaminação traz como infeliz conseqüência a diminuição na taxa de ISBR. Por mais que estas pessoas sejam abençoadas com a paz, a saúde, a vida elas nunca estão satisfeitas. É preciso sempre mais e por mais que se consiga ainda não é o suficiente. Os milagres de ver, sentir, cheirar, viver... deixaram de ser interessantes a muito tempo. Agora é preciso ter, consumir, gastar... mais, mais e mais.

Um compositor norte americano, Garth Brooks, escreveu em uma de suas canções algo muito precioso: “A felicidade não é conseguir o que se quer, mas amar o que se tem”. Esta declaração nos ajuda a abrir os olhos para o nosso ISBR. Se Deus pudesse intervir durante as reclamações da adolescente que chora por um par de tênis da moda, talvez ele abriria o armário e mostraria os outros sete pares de belos tênis, quase novos, que Ele providenciou e perguntaria o que havia de errado com eles. Se pudesse estar na garagem do homem que faz empréstimos altíssimos para comprar aquele carrão, talvez se sentaria ao volante do atual carro, ligaria a ignição e provaria que estava tudo bem com o útil automóvel.

Não há nada de errado com querer realizar sonhos, é maravilhoso ter aquilo que se deseja, o que não podemos é andar insatisfeitos com as bênçãos que recebemos. Tratamos aquilo que recebemos de Deus como mercadorias com prazo de validade, depois de algum tempo, ainda estando bem conservada, precisamos de uma nova bênção.

As bênçãos de Deus estão na proporção da satisfação com as coisas que recebemos Dele. Mais satisfeitos, mais abençoados, e quando estamos insatisfeitos não deixamos de ser abençoados apenas não enxergamos tudo o Deus tem feito por nós.

Por isso é essencial que desenvolvamos o hábito de perceber naquilo que possuímos grandes dádivas do Deus que cuida das aves e muito mais de nós, nos pequenos detalhes o carinho do criador, nos banhos refrescantes para os dias de calor a sábia intervenção do Pai celestial, no travesseiro que trás descanso depois de um dia do precioso trabalho a providência do Deus amigo e carinhoso, na companhia da família a presença de Jesus, é necessário que valorizemos tudo o que ganhamos, reconheçamos de onde vêm os pequenos objetos e as grandes realizações e aumentemos ao máximo o nosso ISBR e não esqueça, procure também ver os aspectos positivos das provações que você enfrenta quase tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim, quem só vê o lado ruim vive pela metade, pela pior metade.

sábado, 3 de julho de 2010

Meu Senhor.

Uma das definições para o pronome Senhor é: o que tem domínio sobre vassalos ou criados. Senhor era como os escravos chamavam seus possuidores. Trouxemos daí o termo, que acabou se aplicando, inadequadamente, à forma dos filhos se dirigirem aos seus pais.
Em inglês a expressão senhor "Sir", é comumente usada no ambiente militar. Não há intimidade neste pronome, ele é utilizado para enfatizar a diferença na hierarquia, e é exigido pelos superiores para manter um regime que há tempos precisa de reformas.
Senhores eram os coronéis, os donos de engenho, os padres e os delegados.
Chamar de tu ou você um destes inacessíveis cidadãos era uma transgressão social, vista com desprezo e punida com repreenções.
Alguns ainda acreditam que há necessidade de referir-se ao chefe como senhor, não creio que haja sentido nisto. Excetuando as formalidades exigidas por regras de tratamento, chamar alguém de senhor é em nossos dias, praticamente desnecessário.
No entanto, mesmo sendo bem resolvidos, tendo a auto-estima elevada, tendo conseguido pelo esforço pessoal viver sem chefes, há alguém a quem devemos o título de Senhor. De quem somos subalternos, subservientes, criados, escravos, empregados, soldados por opção, Jesus.
Meu Senhor é eficiente, pontual, organizado, cuidadoso, atencioso, eficaz, não se deixa pressionar, planeja com antecedência e trata seus vassalos com carinho, afeto, respeito, amizade e amor.
A Ele chamo de Senhor, baseado seguramente na origem do termo.
Jesus, meu Senhor.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O que nos torna produtivos? O que nos faz criar ? O que motiva a nossa criatividade ?

A inspiração. E o que nos inspira? Acho que são as alegrias, os amigos, a tranqulidade, as solicitações.

É até possível produzir sem estar inspirado. Mas a produção sem inspiração é mecânica, é monótona, não encontra público.

Arrancar o sorriso, ou o suspiro, ou a surpresa, ou o apaluso deve ser o gol de quem escreve ou produz. Sem inspiração, no goal.

Lembrei de uma canção que um dia foi minha preferida. Ela falava de expectativas.

“Eu queria ter na vida simplesmente um lugar de mato verde pra plantar e pra colher, ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela só pra ver o sol nascer.”

Hoje é isso.

sábado, 15 de maio de 2010

Justiça


"Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas...” Malaquias 4:2


Tenho acompanhado pelos meios de comunicação situações de extrema injustiça. Uma desembargadora que utiliza o cargo que exerce para pressionar alguns policiais a liberar o carro do filho com documentação irregular. Um advogado bem pago que chama de inocente o autor de um crime hediondo. A absoluta indiferença dos políticos envolvidos no processo da construção de uma hidrelétrica nas proximidades das terras de índios, revoltados pela construção da obra.
A necessidade de justiça é uma sede que nem sempre é saciada pelos magistrados. A parcialidade das decisões deixa indignada uma sociedade que precisa engolir sua indignação por não haverem ouvidos atentos aos seus clamores. Os processos judiciais que se amontoam nos fóruns, a corrupção de indivíduos responsáveis pela elaboração e aplicação da justiça, a ignorância premeditada de pessoas que chamam de favores as obrigações do estado, tudo isso revela a face opressora da Injustiça.
A justiça que esperamos talvez nunca se aplique a nossas causas. Não é pessimismo, mas um realismo duro e cruel. Sofremos e não há muito a fazer, a não ser, fazer de conta que a criação de agências reguladoras e órgãos de defesa de consumidores tornam mais justa nossa sociedade.
No entanto, em contraste às sombras de uma justiça de olhos bem abertos, está a promessa do Sol da justiça.
A figura de linguagem utilizada pelo inspirado autor bíblico, revela a abrangência, a magnitude e a satisfatória justiça que o Senhor promete aos seus filhos.
Experiência em julgar? Vejamos: Dar a César o que é de César, autorização para atirar pedras em pecadores, apenas para os isentos de pecados, fazer murchar a planta que inutilmente não produz o que deveria produzir, e no cúmulo da aplicação da justiça pagar com vida a dívida que exigia unicamente vida.
Meu Senhor entende de justiça e para os esquecidos, injustiçados, cansados de pedir, ignorados, sentenciados inocentemente, ele promete o sol. Não apenas o calor para derreter a frieza da sociedade injusta, mas o tamanho, o brilho, o esplendor, a beleza, a imponência e todos os outros atributos do astro que representa grandeza.
Não são lampejos, nem raios, nem muito menos o brilho da justiça, mas justiça em toda sua glória. A justiça total, que arranca sorrisos, brados de alegria e satisfação plena: O sol da justiça; Jesus.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O Tempo

Você já pensou no tempo? Ele passa sem avisar e quando a gente menos espera, ele já deixou marcas e lembranças.

Você já perdeu tempo? Esperou que algo acontecesse e quando o tal algo aconteceu, viu que foi apenas tempo perdido.

Você já ganhou tempo? Apressou as coisas, botou as coisas em dia, estudou na hora certa, trabalhou na medida certa, agiu no momento certo?

Tanta gente já falou do tempo. Mario Quitana disse que com o tempo você aprende a gostar de você, a cuidar de você, mas principalmente a gostar de quem gosta de você.

Salomão, o Sábio inspirado, também falou sobre o tempo.
Você já deve ter ouvido:

Há um tempo para tudo: há tempo para nascer, para morrer; para plantar e para arrancar o que se plantou; tempo de chorar, de rir, de prantear, de dançar; de espalhar, de ajuntar; tempo de buscar, de perder; tempo de calar, e tempo de falar; tempo de guerra, e tempo de paz..

Mas sempre, sempre é tempo de amar. (diz a letra de uma canção)

Há um tempo para tudo. Mas Geraldo Vandré cantava sobre o tempo e dizia: “Quem sabe faz a hora não espera acontecer.”

O desafio é equilibrar as noções do rei e de Vandré.

O Tempo é relativo, Divirta-se e ele voa, sofra e ele parece não passar.
O tempo é democrático, traz rugas para a feia e para a bela.
O tempo é remédio, Cura dores e outros males, mas mantém cicatrizes para gente lembrar e suspirar: quanto tempo já passou...

Tempo: incontrolável, inflexível, disciplinado, sonho de alguns, lamento de outros, se arrasta para o menino, desaparece para o adulto, dispara para o idoso.

Para usá-lo?
Sabedoria e atitude.



P.S. “Quem mata o tempo não é assassino, mas sim um suicida."
Millôr Fernandes

Clarinha

Aproximava-se o dia do primeiro natal. As pessoas não estavam muito preocupadas com a chagada daquele bebê tão especial, a maioria delas nem sabia que ele nasceria naqueles dias. Mas enquanto o povo não estava nem aí para o nascimento do menino Jesus o céu estava agitadíssimo. Todos tinham algo para fazer. Os anjos estavam reunidos preparando as músicas que apresentariam naquele evento incomparável, enquanto uns afinavam os instrumentos, outros ensaiavam o coro que cantaria para celebrar a chegada do neném mais importante da história. As estrelas estavam todas ocupadas procurando o lugar mais adequado para brilhar quando o rei chegasse. Todos estavam envolvidos com os preparativos para a festa, todos menos alguém, Clarinha. Clarinha era uma pequena estrela que de tão pequena sentia-se inferior as outras. Ela via as grandes estrelas com seu brilho magnífico, com tanta beleza e esplendor e então pensava
– Puxa, eu nunca conseguirei ser como essas grandes estrelas, eu sou tão pequena, nunca brilharei como elas.
As estrelas maiores tentavam convencer Clarinha de que ela era muito importante, de que o seu tamanho não tinha nada a ver com seu valor, mas não adiantava, Clarinha terminou não se envolvendo com os arranjos para o primeiro natal.
Todos haviam saído para fazer algo. Clarinha, como sempre, havia ficado sozinha. De repente algo lhe chamou atenção. Lá de cima, ela olhou e viu um grupo de homens andando de lá para cá, iam para frente, vinham para trás, davam voltas, paravam, pareciam muito confusos. Clarinha ficou curiosa com aquela situação. Ela observou durante muito tempo e decidiu se aproximar mais para tentar descobrir algo sobre aqueles homens atrapalhados. Ao chegar mais perto, Clarinha teve uma surpresa incrível. Aqueles homens que lá de cima pareciam tontos eram na verdade três reis, que vieram lá do Oriente para a festa da chegada de Jesus. Eles estavam perdidos no deserto, pois não conheciam bem o lugar, falavam até em desistir e voltar para o Oriente por não descobrirem o lugar onde nasceria o menino Rei. Clarinha ficou muito preocupada, pois ninguém poderia faltar àquela festa maravilhosa. Tentou chamar alguém para orientar os nobres, mas não havia ninguém lá, todos estavam muito ocupados com os preparativos da festa, pensou no que poderia fazer e teve uma idéia. A princípio teve um pouco de medo, mas alguém precisava ajudar os três ilustres visitantes que vieram para a celebração do natal de Jesus. Ela decidiu ir lá em cima, o mais alto que chegasse e brilhar o máximo que pudesse para tentar chamar a atenção dos três viajantes. E assim ela fez. Voou, voou e quando estava muito além das nuvens começou a se esforçar para brilhar. Clarinha não estava muito acostumada com aquela situação, mas reuniu toda a sua força, como nunca havia feito antes e de repente um brilho especial começou a surgir do corpo de Clarinha e quando ela viu que seu esforço estava dando resultado ela se esforçou mais e mais e quando percebeu, Clarinha começou a iluminar todo céu, a ponto dos anjos e as outras estrelas pararem o que estavam fazendo para olhar aquele brilho imenso. Quando os Reis do Oriente viram aquela claridade enorme no céu, logo descobriram que se tratava do sinal do nascimento do menino Jesus, e seguiram Clarinha até ao local onde estava aquele bebê tão especial. Naquele instante as outras estrelas se aproximaram de Clarinha para parabenizá-la por aquele feito memorável.
Desde aquele dia Clarinha se tornou uma grande estrela no céu, a pesar do seu pequeno tamanho passou a ter nome e sobrenome. Agora ela era chamada por todas as outras estrelas de D´alva, Clara D´alva.