Pesquisar este blog

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Acreditar não é fácil.


Acreditar não é fácil. Não é fácil para o arqueólogo, para o historiador, para o biólogo, para o teólogo ou para o ateu. Não me refiro a acreditar naquilo que pode ser visto, o que às vezes também provoca dúvidas, mas especialmente a crença no invisível, na suposição, na teoria, na interpretação de fatos não muito claros.

Admito que já duvidei. Duvidei de coisas que sempre cri. Mas no auge doloroso da minha dúvida, lembrei de outros que, como eu, também passaram pelo processo incômodo de questionar o que parece fato aos olhos da maioria.

Madre Tereza de Caucutá, alguém que dispensa apresentação, pediu para que as centenas de cartas enviadas aos seus conselheiros espirituais fossem destruidas, mas não foi atendida e as cartas viraram livro. Suas declarações revelam o sofrimento pela incapacidade de acreditar totalmente: “Dizem que Deus vive em mim; contudo a realidade da escuridão, frieza e vazio é tão grande que nada toca a minha alma. Sinto apenas aquela terrível dor da perda, de Deus não me aceitar, de Deus não ser Deus, de Deus não existir realmente.”

Alguns podem estar surpresos pelo ceticismo temporário de Tereza. Mas outros, tão ou mais santos que a caridosa serva de Deus, passaram por momentos de dúvida.

Davi, o homem segundo o coração de Deus, desconfiou da companhia do senhor que prometeu estar ao lado dos Seus filhos (Sl 10:1); Tomé, um dos 12 mais próximos seguidores de Jesus, duvidou do Mestre ressurreto (Jo 20:25); João Batista, o maior entre os nascidos de mulher, duvidou do fato de Jesus ser o Messias enviado (Mt 11,2). E a lista segue numerando diversos outros que tiveram suas sinceras dúvidas registradas na bíblia.

Não acho que apenas os cristãos duvidam. Seguidores de outras religiões devem também ter seus momentos de incredulidade. O que parece é que quando se questiona a doutrina, o dogma, o princípio ou simplesmente uma convenção, passa-se a imagem de fraqueza ou revolta. Assim é melhor guardar a dúvida em um canto escondido do pensamento, longe dos olhos e dos ouvidos dos críticos porque parece que apenas os sinceros-ingênuos admitem a dúvida. Ter muitas certezas denota força, equilíbrio, superioridade. Mas quando vejo pessoas assim sempre lembro da Cantiga por um ateu, do Padre Zezeinho: Às vezes, quem duvida e faz perguntas, É muito mais honesto do que eu. ...

Também acredito, que mesmo os céticos passam pelo dilema da dúvida. Charles Darwin quase entrou em parafuso ao concluir, a partir da sua turva observação, que nós, seres incrivelmente complexos, somos, segundo ele, descendentes de um ancestral do macaco.

Não creio que nunca passou pela brilhante mente de Stephen Hawking, dúvidas a respeito da incoerente teoria do Big Bang.

Também duvido que Richard Dawkins, o ateu-biólogo implicante, não tenha sofrido de dúvida ao sugerir que as baleias eram ursos que, ao nadarem em busca de comida, foram ficando por lá até se tornarem os gigantes mamíferos dos mares.

Em que acreditar e por que acreditar?

O cardápio de crenças é incrivelmente diverso. Há os que creêm em reencarnação, há os que creêm em alienígenas, os que acreditam que o peixe espada virou elefante, os que afirmam que Elvis não morreu e os que acham que em 2012 o mundo vai acabar. A lista de convicções é extensa, os irmãos católicos por exmplo, acreditam que cerca de 5.120 santos estão à sua disposição para cuidar de dores abdominais, vendedores de armas, ferreiros e os que são acometidos de problemas intestinais.

Diante de tantas ofertas de crendices, crenças e credos. Nos resta concluir que acreditar é uma escolha. Às vezes uma escolha imposta pela tradição, pela comunidade acadêmica, pelos pais ou pela igreja, mas é uma escolha.

Por isso, a despeito dos momentos de dúvidas, eu escolhi acreditar naquilo que me pareceu coerente e significativo. Naquilo que trouxe satisfação para minha mente. Procurei utilizar o bom senso, a sobriedade, a racionalidade e às vezes o sentimento para dizer: Eu creio!

Sim sou um cético! Desconfio, duvido, questiono, digo às vezes que não sei. Mas procuro não deixar que minhas dúvidas comprometam a minha fé. Assim, quando a dúvida incomoda, ameaça, grito para o autor da fé como um anônimo personagem bíblico: Eu creio, ajuda-me em minha incredulidade (Mr 9.24). Então busco conviver com as incertezas inevitáveis da vida e com as as verdades que o Senhor me convenceu a acreditar.


Quando tudo não é o bastante


As agências de publicidade têm muitas vezes surpreendido pela criatividade utilizada para vender os produtos de seus clientes. Alguns anúncios são tão bem elaborados, cheios de humor ou emoção que, ás vezes, chamam mais atenção do que certos programas de televisão.

Há uma propaganda que tem um texto muito interessante de onde podemos tirar uma preciosa lição para as nossas vidas. É um anúncio de uma revista semanal. Os textos vão aparecendo de trás pra frente muito devagar, depois vão virando pra posição correta até poderem ser lidos claramente. Eles dizem o seguinte: “ tudo na vida tem um lado bom e um ruim, quem só vê o lado ruim vive pela metade, pela pior metade.”

A verdade contida neste pequeno texto é sem dúvida muito grande. Se não fosse pela presença da expressão “tudo na vida” a frase seria perfeita. Pois é claro que há coisas na vida que só tem um lado bom ou ruim. Mas sem dúvida a maioria das situações enfrentadas pelas pessoas tem dois lados, um positivo e um negativo.

Na nossa vida religiosa não é diferente. Enfrentamos situações difíceis aonde é possível perceber aspectos que contribuirão para nosso relacionamento com Deus e temos alegrias que, chegamos a conclusão, podem atrapalhar nossa vida cristã.

É muito importante exercitarmos essas avaliações sobre as coisas que nos acontecem para que não ponhamos em risco, com as situações desta vida, a nossa salvação.

ISBR

Deus nos têm dado bênçãos sem medida. Basta respirar bem fundo, olhar o colorido ao seu redor ou mexer cada um de seus dedos para você perceber a bondade e o carinho de Deus demonstrados a cada segundo da sua vida. Infelizmente nós, às vezes, nos acostumamos com todos esses milagres de Deus e nos esquecemos de quão providente é o nosso bom Senhor. Nos assemelhamos aos discípulos que pouco depois de terem visto a maravilhosa multiplicação dos pães estavam preocupados com o que comer mesmo estando na presença daquele que havia alimentado a grande multidão através do seu poder. Temos memória curta quando o assunto é bênção divina.

Por isso ao falar sobre o tema do reconhecimento pelo que Deus faz por nós, utilizaremos a sigla ISBR (índice de satisfação pelas bênçãos recebidas).

Querer, sonhar, consumir, realizar são verbos extremamente atuais. Nunca se aguçou tanto o sentido do olhar, nunca se atiçou tanto o desejo pelo poder, nunca se promoveu tanto a oportunidade de ter.

A criança aprende a falar a frase “compre papai”, muito antes de estar na escola. O adolescente precisa vestir , usar, e ter tudo o que a tv e as revistas anunciam. Os adultos se endividam para realizar o sonho do carro novo que precisa ser renovado a cada novo lançamento da concessionária e a família vive apenas para satisfazer o insaciável desejo de consumir.

Infelizmente algumas famílias cristãs são contaminadas também com o terrível vírus do “querer ter a qualquer custo” e esta contaminação traz como infeliz conseqüência a diminuição na taxa de ISBR. Por mais que estas pessoas sejam abençoadas com a paz, a saúde, a vida elas nunca estão satisfeitas. É preciso sempre mais e por mais que se consiga ainda não é o suficiente. Os milagres de ver, sentir, cheirar, viver... deixaram de ser interessantes a muito tempo. Agora é preciso ter, consumir, gastar... mais, mais e mais.

Um compositor norte americano, Garth Brooks, escreveu em uma de suas canções algo muito precioso: “A felicidade não é conseguir o que se quer, mas amar o que se tem”. Esta declaração nos ajuda a abrir os olhos para o nosso ISBR. Se Deus pudesse intervir durante as reclamações da adolescente que chora por um par de tênis da moda, talvez ele abriria o armário e mostraria os outros sete pares de belos tênis, quase novos, que Ele providenciou e perguntaria o que havia de errado com eles. Se pudesse estar na garagem do homem que faz empréstimos altíssimos para comprar aquele carrão, talvez se sentaria ao volante do atual carro, ligaria a ignição e provaria que estava tudo bem com o útil automóvel.

Não há nada de errado com querer realizar sonhos, é maravilhoso ter aquilo que se deseja, o que não podemos é andar insatisfeitos com as bênçãos que recebemos. Tratamos aquilo que recebemos de Deus como mercadorias com prazo de validade, depois de algum tempo, ainda estando bem conservada, precisamos de uma nova bênção.

As bênçãos de Deus estão na proporção da satisfação com as coisas que recebemos Dele. Mais satisfeitos, mais abençoados, e quando estamos insatisfeitos não deixamos de ser abençoados apenas não enxergamos tudo o Deus tem feito por nós.

Por isso é essencial que desenvolvamos o hábito de perceber naquilo que possuímos grandes dádivas do Deus que cuida das aves e muito mais de nós, nos pequenos detalhes o carinho do criador, nos banhos refrescantes para os dias de calor a sábia intervenção do Pai celestial, no travesseiro que trás descanso depois de um dia do precioso trabalho a providência do Deus amigo e carinhoso, na companhia da família a presença de Jesus, é necessário que valorizemos tudo o que ganhamos, reconheçamos de onde vêm os pequenos objetos e as grandes realizações e aumentemos ao máximo o nosso ISBR e não esqueça, procure também ver os aspectos positivos das provações que você enfrenta quase tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim, quem só vê o lado ruim vive pela metade, pela pior metade.